O tempo passa mais devagar para os atletas de elite?
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Não é só uma questão de talento: preparar-se para saltar um obstáculo ou enterrar uma bola de basquete faz com que o cérebro processe as informações de forma diferente. O atleta percebe este momento como uma desaceleração do tempo, afirmam pesquisadores da Universidade College de Londres (UCL) em um novo estudo.
"John McEnroe afirmou que sentia o tempo passar mais devagar quando estava prestes a bater na bola, e pilotos de Fórmula 1 relataram uma sensação muito similar durante uma ultrapassagem”, explicou o Dr. Nobuhiro Hagura, do Instituto de Neurociência Cognitiva da UCL, ao Discovery Notícias. "Supomos que durante a preparação motora, o processamento de dados visuais no cérebro é ampliado, o que talvez aumente a quantidade de informações recebidas. Isso faz com que o tempo seja percebido como mais longo e lento”.
Os pesquisadores testaram a teoria pedindo aos participantes que reagissem de duas maneiras a discos que piscavam em uma tela: batendo na tela ou apenas assistindo. Segundo os integrantes do grupo que bateu na tela, o tempo entre as piscadas parecia ser mais longo, e quando mais preparados estavam, mais o tempo parecia se estender.
A descoberta levou os pesquisadores a sugerir que os atletas de elite possuem uma capacidade maior de experimentar essa percepção que a população em geral. Eles pretendem conduzir futuros experimentos com atletas profissionais, bem como um experimento para determinar o mecanismo psicológico que desencadeia o fenômeno.
"A ideia é refazer esses experimentos comportamentais para medir a atividade cerebral dos participantes através da eletroencefalografia”, revelou Hagura à BBC News. "Desta forma, poderemos visualizar o que acontece no córtex visual durante o período de preparação para a ação”.

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