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Porque acreditamos em Ets, horóscopos e religiões?

Porque acreditamos em Ets, horóscopos e religiões?


África, 3 milhões de anos atrás. Um dos nossos ancestrais caminha por uma trilha cercada de arbustos. De repente, ouve um barulho no mato. Pode ser o vento, mas também pode ser um bicho pronto para o bote. Se o hominídeo se apega à segunda possibilidade e corre, mesmo não existindo fera por perto, comete um engano, mas continua vivo. Se, no entanto, atribui o ruído a uma brisa e segue a passos lentos, seus minutos estão contados caso exista um animal à espreita. É a esse exemplo que recorre o psicólogo americano Michael Shermer em seu novo livro, Cérebro e Crença, para sintetizar nossa necessidade biológica e evolutiva em criar e reforçar crenças.


“O cérebro conecta pontos em busca de padrões, mas nem sempre distingue o que é real. É como se estivesse programado para crer em qualquer coisa por precaução”, explica a GALILEU. Essa mesma lógica abre as portas para o sobrenatural. Imagine a cena: você, que já ouviu falar em assombração, está sozinho em casa à noite. Escuta, então, um ruído estranho na cozinha. O barulho pode ser um móvel rangendo ou... um espírito vagando. Na dúvida, precisamos crer em mais de uma possibilidade para agir, mesmo que seja ficar encolhido no sofá.

Shermer, Ph.D. em história da ciência, baseia suas conclusões em evidências que ligam a origem das crenças a nossos instintos mais primitivos. A seleção natural teria privilegiado os mais “crentes” porque os propensos a acreditar, seguindo nosso exemplo inicial, no predador, mesmo sem ter informações suficientes para deduzir isso, aumentaram suas chances de sobrevivência. Como nosso cérebro muitas vezes não identifica os erros, tendemos a acreditar em muitas coisas, principalmente se não temos como negá-las — bem-vindo ao mundo dos fantasmas, ETs e cia. A questão, como você vai ver, é que os genes, a personalidade e o ambiente se misturam na receita que nos faz mais ou menos adeptos a crenças. 


Nascido para crer 
Estudos apontam que a nossa maneira de adquirir informações sobre o mundo é criar padrões e generalizações em nossas mentes. “Há grupos de neurônios responsáveis por criar espécies de protótipos internos. Logo que vemos um objeto, não processamos todas as informações, mas tentamos encaixá-lo nesses protótipos”, explica o filósofo João de Fernandes Teixeira, professor da Universidade Federal de São Carlos.Um exemplo prático de como isso funciona: alguém que normalmente tem dificuldade para achar uma vaga para estacionar perto do trabalho observa que, ao chegar em um horário diferente, a rua está cheia de espaços livres. 

Outro dia, nesse mesmo período, encontra vaga de novo. Sem precisar pensar muito, ele cria um padrão (horário diferente = rua livre) e passa a chegar sempre nesse novo horário, embora não tenha identificado razão lógica para isso. Esse modus operandi também pode funcionar de outro jeito. Vamos supor que nosso amigo em busca de uma vaga toque no seu chaveiro com um símbolo da sorte e, em poucos minutos, encontra um lugar para deixar o carro. Ele já tinha uma ideia da função do amuleto e, quando ele lhe traz uma vantagem, liga uma coisa à outra. Pronto: nasceu outro padrão (tocar o chaveiro = achar vaga). As superstições, assim, compartilham de um mesmo mecanismo de associações rápidas que nos fazem deduzir uma porção de coisas úteis. 


Essa fome cerebral por padrões é o que define como ele lida com um universo marcado por fenômenos aleatórios. Para encontrar coerência nesse mundo caótico, dizem os cientistas, ele estabelece crenças justificadas por uma série de acontecimentos captados e editados ao longo da vida. Assim surgiria, segundo Shermer, nossa tendência a aderir a uma religião. As ideias de Deus e céu, por exemplo, nos ajudam a entender o mundo e o destino, e ainda balizam nossas atitudes e preceitos morais. Pense como isso pode facilitar a vida em sociedade e estimular um grupo a prosperar. “Não é por menos que há quem defenda que as pessoas geneticamente inclinadas a acreditar em religiões auxiliavam umas às outras e geravam mais filhos, espalhando, assim, os genes da religião”, diz o teórico evolucionista Craig James, autor do livro O Vírus da Religião.

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